Se você não acreditou no título, quero dizer que trata-se de uma história real, uma continuação dessa história. Caso tenha ficado com preguiça de clicar no link e ler a primeira parte, trata-se da triste jornada de um homem que perdeu uma parte MUITO importante de seu corpo: um dente.

Pois bem. Estava eu no auge dos meus 30 anos quando tive a tristeza de perder um dos dentes. Superado o trauma, passei a buscar alguma solução para esse problema.

Meu dentista de confiança recomendou que eu fizesse um implante dentário, me explicou que o resultado ficaria bom e não haveria problemas posteriores relacionados à prótese, já que a aparência e até mesmo o “funcionamento” da coisa seriam praticamente idênticos ao de um dente verdadeiro. Topei o desafio, acertei a forma de pagamento (argh!) e marcamos a data para o início dos procedimentos.

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“Agora escute bem.”

Só pra você se situar, vou explicar qual era o planejamento, da forma como eu entendi. Se você for dentista, fique à vontade para me corrigir e dizer os termos corretos nos comentários:

  1. Extrair a metade de dente que ainda estava na minha boca para preparar o local para a “instalação” do novo dente;
  2. Fixação de uma porca metálica, parafusada diretamente no osso do meu maxilar superior. Após esse procedimento “simples”, eu deveria esperar pelo menos 6 meses para o osso do meu maxilar se fundir à essa parte metálica. (Só de pensar nisso, começo a me sentir como um cyborg ou algo assim);
  3. Estando tudo fixado no meu crânio, seria preparado o dente com o parafuso para ser apertado na minha boca. Simples não?

A questão, meu amigo leitor, é que nem eu e nem os dentistas envolvidos no processo imaginavam que na verdade o item 2 descrito acima deveria se dividir em alguns sub-itens adicionais. O problema foi que, ao examinar a radiografia do meu crânio, um dos dentistas percebeu que o osso onde seria parafusado a parte fixa do implante era muito fino para suportar o parafuso, correndo o risco de atravessá-lo no processo. Ou seja, além de não servir para fixar o implante adequadamente, estamos falando do meu CRÂNIO e ninguém quer que parafuso nenhum atravesse por onde não deveria. Pelo menos eu não quero.

Mas a Odontologia já avançou de uma forma que pode dar um jeito até num caso desses, que parece muito difícil de ser resolvido. É simples. É só fazer um calço. Sim, um calço. Colocar algo pra deixar o osso mais alto e não permitir que o parafuso atravesse. E o que poderia ser usado como calço numa situação dessas? A resposta é simples: OSSO BOVINO.

É isso mesmo que você leu. Eles colocariam um pedaço de osso de vaca ou boi dentro da minha gengiva, junto ao osso, para que da mesma forma que o osso se fundisse com o metal, se fundisse com o tal osso animal. Claro que é algo preparado em laboratório, seguindo critérios. Não é um pedaço de osso qualquer tirado das sobras de um açougue.

Chegando neste ponto da história, amigo leitor, imagine agora o impasse psicoantropológico no qual me deparei, sem nem ao menos saber se essa palavra existe ou leva hífen. Já não me bastava ter que me acostumar com a ideia de ter uma peça de titânio instalada na minha gengiva, agora eu tinha que aceitar a proposta, feita por graduados doutores da saúde bucal, na qual parafusar um dente artificial com um pedaço de osso de vaca no  meu crânio seria uma boa ideia. Por mais que fosse científico, contando pra vocês desse jeito, vocês não estranhariam se esse tratamento tivese sido proposto pelo dentista Didi Mocó.

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“Como é doutor? Parafusar osso de boi na minha boca???”

Bem, eu não tinha muita escolha. Era isso ou ficar desdentado. E podem acreditar meus amigos, um dente só faz MUITA falta. Ainda mais no meu caso, que tive que extrair DEZ DENTES da minha boca antes de fazer um tratamento com aparelho na adolescência. Mas vou deixar esta história pra uma outra hora, talvez fazer uma prequência dessa história aqui. Tipo um BANGUELA BEGINS.

OK, vamos agora tentar fazer uma linha do tempo dos procedimentos cirúrgicos. Tive que recorrer aos registros do backup que gerei contendo todos os meus tweets. Acompanhem:

  • Dia 18 de janeiro de 2012: Realizei a primeira cirurgia para implantar o fatídico osso de boi na minha boca:
  • Dia 9 de agosto de 2012: instalando uma porca no pedaço de um animal bovino que já encontra-se fundido ao meu crânio:
  • Dia 19 de março de 2013: enfim, a fase final de instalação do meu novo dente biônico:
  • Dia 9 de abril de 2013:

Enfim pessoal, para concluir, tenho que dizer que tem valido muito a pena ter esse dente postiço na minha boca. Ele é excelente. Nunca senti dor nenhuma, nenhum tipo de incômodo, pelo contrário, chega a ser engraçado ter um dente no qual você não sinta coisa alguma. A pessoa que modelou o dente aproveitou pra fazer um BITELÃO de dente que preenche todo o espaço vazio deixado pelo finado dente que quebrou, não deixando muito espaço para eventuais sujeiras se acumularem. Claro que tenho tomado cuidado fazendo a higiene necessária para não perder os dentes vizinhos a ele. Não achei uma foto do meu novo dente ainda, mas assim que achar vou publicar aqui nesse post.

Ah, e por outro lado, fiquei sabendo que sempre vão haver implantes mais tensos envolvendo dentes.

No mais, é isso. Escovem sempre os dentes. E usem o fio dental!

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